Pertencendo administrativamente ao distrito de Coimbra, o concelho de Condeixa-a-Nova compreende uma área de aproximadamente 140 km2, conglobando dez freguesias. Com uma população acima dos 15 000 habitantes, Condeixa-a-Nova oferece ao visitante, na sua salutar heterogeneidade, uma realidade física e sócio-cultural peculiar onde confluem e se harmonizam a ambiência urbana e a paisagem serrana, pensares e sentires que denotam a cumplicidade com o citadino bem como modos de vida, mormente agrários, que relevam de um forte apego à terra.

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Muito embora caracterizado pelo predomínio de superfícies planas, o concelho surge enquadrado por um sistema montanhoso nas suas zonas sul e sudeste, sobretudo com as serras de Janeanes e do Furadouro. Inscrevem-se assim, no seu perfil geomorfológico, formações audazes que alteram inesperadamente a fisionomia natural do terreno, conferindo, porém, beleza e diversidade à paisagem; ao nível do solo, o calcário concrecionado é a nota dominante da região. O clima Mediterrânico e a abundância de águas correntes – ribeira de Alcabideque, Rio dos Mouros, entre outros – alimentam uma vegetação ridente e fecunda que conferiu, desde sempre, grande interesse paisagístico à região.
E a beleza paisagística do concelho permite, aliás, apontar vários locais de interesse a quem o queira visitar. Mercê dessa morfologia caprichosa e dos acidentes orográficos da região, o concelho exibe um património geológico de raro deslumbre; a prová-lo, estão a Gruta da Lapinha, as Buracas do Casmilo ou o Canhão do Rio dos Mouros. As serras de Janeanes ou do Círculo abrigam miradouros naturais que permitem desnudar o concelho, a um só olhar. A Reserva Natural do Paul de Arzila, onde coabitam inúmeras espécies animais, sobretudo aves, surge como espaço privilegiado para a observação da natureza.

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Mas o concelho é também pródigo em património edificado, ou não houvesse sido este um centro de fidalguia, como o atestam os seus muitos palácios, concentrados na vila ou dispersos pelos seus próximos subúrbios. E, indubitavelmente, no cartão de visita de Condeixa-a-Nova figura, antes de mais, Conímbriga, reduto fascinante da História onde o apelo do passado se faz sentir vivamente!

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Resenha Histórica

Fruto da acção de civilizações diversas que se sobrepuseram, deixando-lhe marcas sucessivas, como estratos arqueológicos, e configurada por contingências mais ou menos felizes da História pátria, a história de Condeixa começa a desenhar-se a partir do século II a.C., com a emergência da cidade luso-romana de Conímbriga. Os vestígios dessa presença romana, onde se lêem sinais de um ancestral encontro de culturas, podem ainda hoje ser admirados nas ruínas e no Museu Monográfico de Conímbriga.
Volveram-se séculos, sucederam-se povos – uma depressão económica fez agonizar o império romano, motivando a sua degenerescência; o século V trouxe consigo as invasões bárbaras; o domínio muçulmano da Península Ibérica impôs-se, a partir do século VIII. Ao tempo da afirmação da fé cristã, pela Reconquista, e após a recuperação dos territórios de Coimbra, pela espada de Afonso III das Astúrias, Conímbriga seria abandonada de forma definitiva e os escassos habitantes que dela não desertaram, viriam a constituir Condeixa, no vale a norte.

No início do século XIII (1219), a existência do lugar de Condeixa-a-Nova surge atestada por documentação; nela aparece referenciado, pela primeira vez, este topónimo, muito embora o povoado devesse existir já no século XII, presumivelmente fundado pelo Mosteiro de Santa Cruz na sequência das acções de repovoamento territorial da região de Coimbra. Naquele remoto século XIII, Condeixa-a-Nova estaria então circunscrita “. a um pequeno lugar, de área não superior a 800 metros quadrados, a crescer entre a actual igreja e a Rua Nova.”.

Acrescido por doação de terras, o lugar de Condeixa-a-Nova, de importância crescente, conhece um desenvolvimento extraordinário que dois acontecimentos do século XVI denunciam: a concessão de um foral em 1514 por D. Manuel I e a constituição da freguesia de Condeixa-a-Nova, em 1541.
Nesta época quinhentista, os avultados proventos económicos que a expansão marítima realiza, fazem o país conhecer a abastança. A próspera Condeixa vai-se vestindo de roupagens fidalgas, com a edificação de palácios e solares, de famílias nobres. Um outro indício do seu desenvolvimento, apontado já nos finais do século XVIII, traduziu-se no reforço da sua importância viária com a reconstrução e alargamento da estrada real (Lisboa-Condeixa-Coimbra) – actual IC2 – pela qual circulava a mala-posta.

No século XIX, porém, Condeixa foi palco de movimentações de forças belígeras que interromperam bruscamente o seu progresso. Assim sucedeu com a terceira invasão francesa, pela qual a freguesia, saqueada e incendiada, conheceria o violento rasto de destruição deixado pelas tropas de Massena, que não poupou nem os palácios, nem mesmo a Igreja-Matriz. Por outro lado, as lutas intestinas que sacudiram o país durante o período de instauração do Liberalismo fizeram voltar a soar os acordes marciais.

Só em meados desse século, Condeixa-a-Nova alcançaria a emancipação administrativa que reclamava e que chegou por intermédio da rainha D. Maria II que, em 1838, a eleva a concelho (benesse que será suspensa e definitivamente restaurada em 1852) e, por fim, à categoria de vila em 1845.